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165 result(s) for "LOPES, Ana Cristina Macário"
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A polifuncionalidade de \mesmo\ no português europeu contemporâneo
Este artigo visa contribuir para um conhecimento mais aprofundado do comportamento sintático, semântico e pragmático de \"mesmo\" no português europeu contem-porâneo. Assume-se à partida que as categorias gramaticais são fluidas, havendo deslizamentos intercategoriais regulares quando se atenta no plano do uso das línguas naturais. Assume-se ainda que os significados de um item lexical polifuncional se interligam por ‘parecenças de família’, com zonas parciais de sobreposição ou deimbricação. Assim, partindo da análise de ocorrências recolhidas no CETEMPúblico, verificou-se que o item \"mesmo\" pode funcionar como adjetivo, como advérbio eainda como conector interoracional, sendo relevante a distribuição sintática para a sua caracterização categorial e semântico-pragmática. Como adjetivo, salienta-se o seu comportamento atípico e analisam-se os seus usos de dependência externa e interna; como advérbio, caracterizam-se dois usos distintos, o uso como advérbio focalizador inclusivo e o uso como advérbio intensificador da força ilocutória do enunciado; finalmente, descreve-se o contributo do item entretanto gramaticalizado como conector para a semântica das construções concessivas. O artigo termina com uma tentativa de interligação dos diferentes valores elencados.
A polifuncionalidade de 'mesmo' no PEC
Este artigo visa contribuir para um conhecimento mais aprofundado do comportamento sintático, semântico e pragmático de mesmo no português europeu contemporâneo. Assume-se à partida que as categorias gramaticais são fluidas, havendo deslizamentos intercategoriais regulares quando se atenta no plano do uso das línguas naturais. Assume-se ainda que os significados de um item lexical polifuncional se interligam por ‘parecenças de família’, com zonas parciais de sobreposição ou de imbricação. Assim, partindo da análise de ocorrências recolhidas no CETEMPúblico, verificou-se que o item mesmo pode funcionar como adjetivo, como advérbio e ainda como conector interoracional, sendo relevante a distribuição sintática para a sua caracterização categorial e semântico-pragmática. Como adjetivo, salienta-se o seu comportamento atípico e analisam-se os seus usos de dependência externa e interna; como advérbio, caracterizam-se dois usos distintos, o uso como advérbio focalizador inclusivo e o uso como advérbio intensificador da força ilocutória do enunciado; finalmente, descreve-se o contributo do item entretanto gramaticalizado como conector para a semântica das construções concessivas. O artigo termina com uma tentativa de interligação dos diferentes valores elencados.
Do tempo à condição: contributos para o estudo das construções com o conector desde que em PE
Neste artigo, proponho-me analisar, num primeiro momento, as pro-priedades sintácticas e semânticas das construções com ‘desde que’, no Português europeu contemporâneo.Trata-se de um conector polifuncional, que introduz frases subordinadas adverbiais temporais e condicionais, sendo ainda possível distinguir, nestas últimas, duas sub-classes, em função do tipo de entidades semânticas que a sua interpretação convoca e do grau de integração da subordinada na frase matriz. A maior parte dos dados que sustentam a análise foram recolhidos num corpus da imprensa escrita disponível on-line, CETEM-Público (http://acdc.linguateca.pt). Num segundo momento, e tendo em vista um tratamento integrado deste caso de polissemia intracategorial, assumo como básico o significado temporal e defendo que a extensão semântica sofrida pelo conector pode ser explicada em termos de convencionalização de uma implicatura conversacional. Convoco dados de fases pretéritas da língua, recolhidos em Fiéis & Lobo (2007), para fundamentar a minha hipótese. In the first part of this paper, I analyse the syntactic and semantic properties of the constructions that involve the connective ‘desde que’ in contemporary European Portuguese. This synchronic polyfunctional connective introduces subordinate temporal and conditional clauses. It is possible to distinguish two sub-types of conditional clauses introduced by ‘desde que’, in accordance with the semantic entity type involved in its interpretation and taking into consideration the degree of integration of the subordinate in the matrix clause. The study is dominantly based on a newspaper corpus available online, CETEMPúblico (http://acdc.linguateca.pt). In the second part of the paper, and aiming to provide an integrated account of this intracategorial polysemy case, I assume the temporal reading of the connective as its basic meaning, and I argue that the process of semantic extension may be explained in terms of the conventionalizing of a conversational implicature. I support my claim on historical empirical data, collected by Fiéis & Lobo (2007).
Ou seja vs. O sea : formal identity or functional diversity
This paper aims at fulfilling a twofold objective: to highlight the functional differences between Portuguese ou seja and Spanish o sea and to do so by making use of a model of discourse segmentation, namely, the one developed in Briz and GrupoVal.Es.Co. (2003). The results have shown that OSS share most of their functions and differ in the wider range of functions of o sea, which has modal functions that are not shared by ou seja.
Ou seja vs. O sea: formal identity or functional diversity
Este artigo visa descrever contrastivamente o funcionamento sincrónico dos marcadores discursivos o sea (Espanhol) e ou seja (Português), usando para tal o modelo de segmentação discursiva de Briz e GrupoVal.Es.Co (2013). Os resultados da pesquisa apontam para uma partilha significativa de funções entre os dois marcadores, embora o sea tenha um espetro mais amplo, nomeadamente no que toca aos valores modais que pode sinalizar. This paper aims at fulfilling a twofold objective: to highlight the functional differences between Portuguese ou seja and Spanish o sea and to do so by making use of a model of discourse segmentation, namely, the one developed in Briz and GrupoVal.Es.Co. (2003). The results have shown that OSS share most of their functions and differ in the wider range of functions of o sea, which has modal functions that are not shared by ou seja.
Contributos para a caracterização das finais de enunciação no Português Europeu Contemporâneo
ste artigo tem como objectivo caracterizar as finais de enunciação no PEC, destacando a sua especificidade face às finais de conteúdo. Evidencia-se o seu comportamento sintáctico periférico e convocam-se critérios de natureza semântico- pragmática para fundamentar a sub-tipologia proposta entre (i) finais de enunciação que explicitam uma relação discursiva de propósito ou finalidade ao nível ilocutório e (ii) finais de enunciação que qualificam o próprio acto discursivo. Em ambos os casos, sublinham-se as funções eminentemente interactivas destas construções. Analisam-se ainda, ao longo deste estudo, as compatibilidades de articulação entre finais enunciativas e distintas classes de actos ilocutórios: asserções, actos directivos impositivos e perguntas, actos compromissivos e actos expressivos.
Do tempo à condição: contributos para o estudo das construções com o conector desde que em PE
Neste artigo, proponho-me analisar, num primeiro momento, as propriedades sintácticas e semânticas das construções com ‘desde que’, no Português europeu contemporâneo.Trata-se de um conector polifuncional, que introduz frases subordinadas adverbiais temporais e condicionais, sendo ainda possível distinguir, nestas últimas, duas sub-classes, em função do tipo de entidades semânticas que a sua interpretação convoca e do grau de integração da subordinada na frase matriz. A maior parte dos dados que sustentam a análise foram recolhidos num corpus da imprensa escrita disponível on-line, CETEMPúblico ((http://acdc.linguateca.pt). Num segundo momento, e tendo em vista um tratamento integrado deste caso de polissemia intracategorial, assumo como básico o significado temporal e defendo que a extensão semântica sofrida pelo conector pode ser explicada em termos de convencionalização de uma implicatura conversacional. Convoco dados de fases pretéritas da língua, recolhidos em Fiéis & Lobo (2007), para fundamentar a minha hipótese.
Texto proverbial português Elementos para uma análise semântica e pragmática
Num primeiro momento, a escolha do texto proverbial como tema da nossa dissertação de doutoramento foi ditada por motivos de natureza estritamente individual. Sempre ouvimos dizer que \"Quem corre por gosto não cansa\", e, de facto, acreditamos que qualquer trabalho de índole científica só pode ser levado a bom termo se resultar de um investimento pessoal com uma forte componente afectiva. Na génese deste projecto está presente esse investimento, já que encarámos com entusiasmo o desafio de compreender e explicar o facto de os provérbios, fragmentos de uma sabedoria tradicional estereotipada, continuarem ainda hoje a ser invocados nas mais diversas situações, com um potencial surpreendente de flexibilidade de adequação contextual.Para delimitar o objecto de análise desta dissertação, partiremos de uma definição provisória e precária de 'texto proverbial' ou 'provérbio', definição essa que ao longo do trabalho se irá clarificando e adquirindo contornos mais precisos e rigorosos. Consideraremos, então, numa formulação preliminar, que o provérbio é um texto breve e sentencioso, que se transmite oralmente de geração em geração, acabando por adquirir o estatuto de texto anónimo institucionalizado. Através dos provérbios exprime-se uma determinada visão do mundo, sob a forma de supostas verdades omnitemporais que configuram regularidades induzidas por generalização empírica, consensualmente aceites pela comunidade, e veiculam-se normas de conduta socialmente consideradas exemplares.É possível estabelecer as fontes de muitos provérbios, mas não é esse o objectivo do presente trabalho; diremos apenas que é nas obras de autores célebres de épocas remotas e na Bíblia que se encontram os filões mais fecundos de pesquisa. De qualquer modo, o que nos interessa é realçar que um provérbio nasce, não no acto da sua invenção, mas no processo da sua absorçãopela comunidade, que se concretiza em reutilizações permanentes. Pertença colectiva, o provérbio é, pois, um texto anónimo quando encarado numa perspectiva sincrónica; de um ponto de vista diacrónico, talvez seja mais correcto falar em termos de 'anonimização', na medida em que há sempre uma fonte remota individual responsável pela produção do enunciado.A constatação de que os provérbios constituem entre nós um domínio praticamente inexplorado, sobretudo numa perspectiva linguística, foi um factor de peso na escolha do tema deste trabalho. As pesquisas realizadas por investigadores portugueses sobre provérbios são, de facto, escassas, e, embora num ou noutro trabalho se encontrem alguns apontamentos linguisticamente pertinentes, o certo é que a maior parte deles se enquadra preferencialmente numa reflexão de índole filológica, etnológica ou histórica, que não se coaduna com os nossos objectivos. Referimo-nos particularmente aos ensaios de J. L. de Vasconcelos (1887-1889), C. M. de Vasconcelos (1887-1889 e 1986)1, Batalha (1924), Cunha (1902), Lima (1965) e Mattoso (1987)Pela nossa parte, interessa-nos encontrar respostas para uma problemática distinta, centrada na contradição, algo paradoxal, entre a extrema flexibilidade de adequação contextual do provérbio e o carácter fortemente cristalizado deste tipo de texto. No cerne da nossa investigação, aparece, pois, como decisiva a questão do estatuto híbrido do provérbio, texto simultaneamente fechado e aberto: fechado, na medida em que transporta consigo uma interpretação-padrão estável no seio da comunidade; aberto, na medida em que faculta uma multiplicidade de leituras, condicionadas pelas situações em que é invocado. Para se entender o estatuto híbrido do provérbio, ou, noutras palavras, para se apreender a especificidade deste tipo de texto, é necessário descrever as suas propriedades semânticas e o seu funcionamento pragmático. São estas duas vertentes que configuram a arquitectura da nossa dissertação.